Educação Piauí
Jovem escritora piauiense lança livro que nasce de vivências e identidade
Publicado em 2026 pela Editora A Arte da Palavra, Nada Exemplar marca sua estreia literária.
25/06/2026 07h08
Por: Redação Fonte: Ascom

Nascida em 2003, na cidade de Itainópolis, no interior do Piauí, Angella Saturnino encontrou na escrita um espaço de expressão muito antes de ingressar no universo acadêmico. Durante a adolescência, entre as atividades escolares e os desafios cotidianos, dedicava-se à criação de poemas que buscavam traduzir inquietações, afetos e experiências muitas vezes difíceis de nomear. Foi desse exercício constante de transformar vivências em palavras que surgiu a semente de seu primeiro livro, iniciado entre os anos de 2021 e 2022, período atravessado por seu processo de transição de gênero.

Em 2023, ingressou no curso de Letras – Português da Universidade Federal do Piauí (UFPI), Campus de Picos. A formação universitária ampliou suas leituras e aprofundou sua relação com a literatura, oferecendo novos instrumentos para pensar a linguagem, a criação artística e as múltiplas formas de representação da experiência humana. Ainda assim, sua escrita permaneceu fiel aquilo que a impulsionou desde o início: a necessidade de registrar as complexidades da vida sem recorrer a idealizações ou fórmulas prontas.

Publicado em 2026 pela Editora A Arte da Palavra, Nada Exemplar marca sua estreia literária. A obra reúne poemas e crônicas que transitam entre a memória, a ficção e a observação do real, construindo uma voz narrativa que se movimenta entre a fragilidade e a resistência. Os textos dialogam com experiências pessoais, mas ultrapassam os limites do autobiográfico ao abordar questões relacionadas à identidade, ao pertencimento, à exclusão e às inúmeras contradições que atravessam a existência.

Mais do que um livro, Nada Exemplar constitui uma tentativa de ocupar um espaço ainda pouco explorado na literatura piauiense contemporânea: aquele em que a poesia encontra a travestilidade como potência estética, política e humana. Porque não pretendo oferecer respostas nem apresentar modelos a serem seguidos. Meu compromisso está na construção de uma arte que acolha as ambiguidades, as rupturas e os processos de transformação que constituem a vida.

Assim, Nada Exemplar surge como um convite à permanência. Não se trata de uma obra que exige compreensão imediata, mas de um encontro possível com aquilo que há de mais íntimo, contraditório e verdadeiro em cada experiência humana.