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Pacientes com câncer precisam cuidar da saúde bucal

O CROSP orienta sobre os cuidados necessários para quem está em tratamento oncológico

14/10/2024 às 20h57
Por: Redação Fonte: Agência Dino
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A odontologia em oncologia é destinada a pacientes em tratamento de câncer ou já tratados do câncer. A prevenção e o diagnóstico do câncer de boca também estão relacionados com a odontologia em oncologia. No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima 704 mil novos casos de câncer por ano no triênio 2023–2025, e 15.100 casos de câncer de boca e orofaringe por ano neste mesmo triênio. O câncer de pele não melanoma tem a maior prevalência, 31,3%, depois o de mama feminina com 10,5%, seguido do de próstata com 10,2%, cólon e reto 6,5%, pulmão 4,6% e estômago 3,1%. A saúde bucal pode ser afetada pelo tratamento do câncer, independentemente do tipo de câncer acometido.  

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O presidente da Câmara Técnica de Estomatologia do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP), Dr. Fábio Alves, explicou sobre os principais cuidados envolvendo esses pacientes. Os cirurgiões-dentistas devem ter conhecimento da fase e tipo de tratamento oncológico em que o paciente se encontra ou se já finalizou seu tratamento. O tratamento odontológico pode ser realizado sem risco, em pacientes que fizeram ou estão realizando radioterapia, onde o campo irradiado não envolve áreas da mandíbula e/ou maxila.

“Esses pacientes podem ser submetidos a qualquer tipo de procedimento odontológico, pois a radioterapia em outras regiões do corpo não acarreta repercussões específicas na cavidade oral, dispensando cuidados adicionais”, pontua o especialista.

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Contudo, nos casos de pacientes em que o câncer abrange a região da cabeça e pescoço e há necessidade de radioterapia, o cirurgião-dentista precisa evitar procedimentos clínicos invasivos que envolvam os tecidos ósseos. Exodontias e implantes devem ser evitados nestes pacientes. "Importante ressaltar que, mesmo após muitos anos, ainda existe risco de osteorradionecrose (necrose/morte do tecido ósseo)", observa o integrante do CROSP.

Dr. Fábio salienta, ainda, como o cirurgião-dentista pode ser essencial nos cuidados na região bucal em indivíduos em tratamento de câncer, visto que a saúde bucal é essencial e algumas lesões podem surgir neste período, sendo a mucosite (inflamação da mucosa bucal) a mais frequente. Segundo ele, é necessário promover a prevenção desta alteração.   

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“Todos os pacientes que irão iniciar tratamento para câncer bucal ou que serão submetidos ao transplante de medula óssea, devem passar por uma avaliação odontológica prévia. Isso visa melhorar a saúde bucal, fornecer orientações sobre higiene oral e eliminar possíveis focos de infecção na boca”, enfatiza o cirurgião-dentista. 

O especialista expõe que os pacientes oncológicos podem ter alterações orais em decorrência da própria doença, como também dos tratamentos de quimioterapia, radioterapia e transplante de medula óssea que possam a vir realizar. 

As alterações orais podem incluir: mucosite oral, xerostomia, cáries de radiação, alteração do paladar e osteonecrose dos maxilares. 

Mucosite oral 

Causa: radioterapia e quimioterapia

Inflamação dolorosa da mucosa oral que pode variar de leve vermelhidão a ulcerações graves. Pode afetar a alimentação, fala e qualidade de vida, além de ser uma porta de entrada para infecções.  

Xerostomia ou boca seca

Causa: radioterapia

Sensação de boca seca que pode ser causada pela redução na produção de saliva ou da qualidade da saliva. Radioterapia na região da cabeça e pescoço pode danificar as glândulas salivares, reduzindo sua função. A boca seca favorece o aparecimento de cáries, infecções como candidíase, e dificulta a mastigação e deglutição.

Cárie de radiação

Causa: radioterapia 

Cárie que ocorre após radioterapia na região da cabeça e pescoço, afetando principalmente a superfície cervical dos dentes. A falta de saliva, juntamente com mudanças na composição salivar e nos hábitos alimentares, favorece o desenvolvimento de cárie de forma acelerada.

Infecções oportunistas

Causa: quimioterapia

Infecções por fungos (candidíase) e virais (herpes) são as mais frequentes. A imunossupressão causada pela quimioterapia e transplantes de medula óssea aumenta a suscetibilidade a infecções orais. 

Disgeusia

Causa: quimioterapia ou radioterapia

Alteração ou perda do sentido do paladar. Comum durante a quimioterapia e radioterapia na região da cabeça e pescoço. Pode diminuir o apetite e levar à desnutrição, além de comprometer a qualidade de vida.

Osteonecrose dos maxilares

Causa: radioterapia 

Morte do tecido ósseo da mandíbula ou maxilar. Está relacionada à radioterapia na cabeça e pescoço.. Pode causar dor severa, infecções e fraturas ósseas, dificultando o tratamento.

Osteonecrose associada a medicamentos

Causa: Medicamentos anti-reabsortivos (Denosumabe e Ácido zoledrônico)

Pacientes usando essas drogas devem ter cuidados com procedimentos cirúrgicos que envolvam a mandíbula e maxila. Demais tratamentos odontológicos não trazem riscos para seu desenvolvimento.

“Nós cirurgiões-dentistas auxiliamos no diagnóstico e controle das alterações na região bucal. Pacientes com a boca saudável suportam melhor o tratamento e apresentam menos riscos de interrupção do tratamento oncológico”, finaliza o Dr. Fábio Alves. 

 

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