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Especialistas reforçam acolhimento no luto por pets

Luto pet é reconhecido como processo legítimo de elaboração emocional dentro das famílias multiespécie

24/10/2025 às 20h00
Por: Redação Fonte: Agência Dino
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Divulgação Grupo Zelo
Divulgação Grupo Zelo

Animais de estimação estão cada vez mais integrados à vida dos tutores e às suas dinâmicas sociais e afetivas. O Brasil possui atualmente a terceira maior população pet do mundo, com mais de 150 milhões de animais, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet).

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Com um mercado cada vez mais atento a essa proporção e às necessidades dos animais e seus cuidadores, cresce também a variedade de produtos e serviços voltados ao bem-estar dos pets. Eles já têm presença garantida em espaços como shoppings, restaurantes, parques e hotéis, acompanhando os tutores em diversas atividades cotidianas. Essa convivência consolidou o conceito de famílias multiespécie, nas quais humanos e animais compartilham o mesmo lar em equilíbrio e afeto.

Segundo especialistas em comportamento e saúde emocional, o vínculo criado entre humanos e seus animais é tão significativo que o falecimento de um pet tem se tornado um acontecimento de grande impacto para muitas famílias. Essa mudança de percepção vem sendo observada e estudada pela psicoterapia contemporânea, que reconhece a importância do acolhimento adequado diante dessas perdas.

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A perda de um animal de estimação pode gerar impactos psicológicos relevantes. Com a proximidade do Dia de Finados, muitas pessoas aproveitam para lembrar e homenagear também a memória de seus pets, reforçando a importância de rituais simbólicos no processo de despedida.

De acordo com a psicoterapeuta Renata Roma, especialista em luto pet, “perder um animal pode ser tão doloroso quanto perder um membro da família. Para muitas pessoas, esse vínculo é profundo, cotidiano, cheio de histórias e de afeto. Mas esse luto muitas vezes é solitário, porque não é reconhecido socialmente. A pessoa sofre, mas sente que não tem espaço para expressar essa dor”.

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Roma destaca que o acolhimento e a validação emocional são fundamentais. “Pesquisas mostram que, quando existe apoio, especialmente em vínculos muito fortes, o impacto do luto é menos pesado. Já quando não há suporte, o risco de complicações aumenta.” Segundo ela, estratégias como rituais de despedida, o uso de fotos e diários de memórias, além de reservar tempo e espaço para reconhecer o papel do animal na estrutura familiar, contribuem para a aceitação da ausência e a elaboração da perda.

Quando a tristeza se prolonga excessivamente ou interfere nas atividades cotidianas, pode ser necessário buscar apoio profissional com formação específica em luto pet. “Como alguém que atende essa população, percebo como o preparo faz diferença real no modo como a pessoa é acolhida”, afirma Roma. Ela observa ainda que a experiência com perdas envolvendo eutanásia costuma ser especialmente delicada: “A eutanásia é um dos momentos mais difíceis. É uma decisão dolorosa para o tutor, e, por isso, o luto pode se intensificar. Nessas situações, o suporte social e profissional é essencial para que essa dor não se transforme em algo ainda mais complicado”.

Para a psicoterapeuta, “o luto por pets não é apenas uma fase que termina, mas uma experiência que transforma a pessoa. Integrar essa perda à identidade é parte fundamental da adaptação. Esse processo leva tempo e precisa de acolhimento, tanto de quem está vivendo a perda quanto das pessoas ao redor. Validar emocionalmente a dor dos tutores e oferecer espaços legítimos para a expressão dessa dor são atitudes essenciais para que as famílias multiespécie possam viver o luto de forma saudável, consciente e respeitosa”.

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