
A morte da delegada Vilma, na manhã deste sábado (22), gerou manifestações de afeto nas redes sociais. Amigos, familiares e ex-colegas de trabalho relembraram a trajetória da delegada que foi pioneira na atuação feminina dentro da função no Piauí.
O delegado-geral da Polícia Civil do Piauí, citou a amizade com a delegada e lamentou sua morte, desejando força aos familiares.
Chefe do Núcleo de Feminicídio do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, a delegada Nathalia Figueiredo, lamentou a morte da delegada Vilma e a citou como referência, agradecendo pela dedicação e luta.

Ex-governador do Piauí, o hoje ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome do Brasil, Wellington Dias também lamentou a morte da delegada Vilma Alves. O ministro lembrou o pioneirismo, coragem, amizade e o legado deixados pela delegada.




Foto: Arquivo / Cidadeverde.com

Primeira delegada e mulher negra a assumir o cargo, Vilma Alves construiu um legado voltado na luta à defesa das mulheres. Em 36 anos como delegada, atuou no combate à violência contra as mulheres e foi a primeira mulher a comandar a Delegacia da Mulher. Também ocupou o cargo de primeira corregedora-geral da Polícia Civil.
Em 2016, Vilma Alves confrontou padrões e criticou abertamente o machismo estrutural. Naquele ano, em uma de suas manifestações, a delegada criticou de forma firme uma pesquisa divulgada a época que afirmava que um em cada três brasileiros concorda com a afirmação de que "a mulher que usa roupas provocativas não pode reclamar se for estuprada".
A frente da delegacia da Mulher ela cumpriu de forma firme a Lei Maria da Penha. Em 2019 chegou a relatar o caso de um homem que desdenhou da medida protetiva, e fez cumprir a lei.
Além de cumprir leis, Vilma Alves foi uma voz ativa na conscientização das mulheres em casos de violência. Em palestras e entrevistas, ela deixava clara a importância de denunciar qualquer abuso ou violência.
“Ela pode beber, pode usar o que for, o que não pode é perder sua dignidade. O corpo é dela e ela pode fazer o que bem quiser, mas é preciso todo cuidado durante o Carnaval”, ressaltou Vilma Alves em 2017.
Durante a pandemia da Covid-19, onde diversas pessoas ficaram em casa devido a necessidade de isolamento social, a delegada Vilma Alves também foi uma voz de proteção e luta pelas mulheres.
"O simples fato de uma comida queimar, de não sair gostosa ou se o banheiro está sujo e ela vai pedi ajuda dele e ele vai recusar, é um motivo de violência, porque o homem não quer ajudar nas tarefas domésticas. Nesse momento de pandemia precisa ter harmonia, solidariedade, cumplicidade e respeito. E essa mulher que já está com tanta tarefa, ele vai xingar, vai bater, ameaçar e vai matar como está matando. A pandemia escancarou a violência contra a mulher e precisa da ajuda de todos", citou a delegada em 2020.
Em dezembro de 2021, a delegada deixou a Polícia Civil após 36 anos como delegada e quase cinco décadas dedicadas à segurança.
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