
Após prestar depoimento à Polícia Civil sobre as agressões que sofreu na noite de quarta-feira (10), a estudante Victória Aparecida falou sobre como se sentiu confusa com os comportamentos violentos do namorado, Matheus Victor Alencar, que se alternavam com momentos "carinhosos".
"Ele tinha muito ciúmes, só que eu não conseguia ver como agressor. Eu amava aquela pessoa. Ele nunca foi 'monstro 100%'. Ele era uma pessoa boa, mas também era um monstro. Então eu estava sempre naquela: o que está acontecendo? Será que ele é realmente essa pessoa ruim? Ou realmente essa pessoa boa?", disse.
A jovem Victória Aparecida Soares Batista, de 23 anos, denunciou a agressão que sofreu nessa quarta-feira (10). Segundo ela, o autor foi o namorado dela, Matheus Vitor da Silva Alencar, filho do delegado Sérgio Alencar, da Polícia Civil do Piauí.
A advogada que representa Matheus Victor, Arielly Pacífico, afirmou que, segundo Matheus, o ocorrido teria sido um "acidente". Ele confirmou que forçou a porta do apartamento e que, ao ceder, a porta atingiu o rosto de Victória. O pai dele, que foi citado pela vítima, preferiu não se pronunciar sobre o caso.
Mesmo após denunciar as agressões, prestar depoimento e solicitar a adoção de medidas protetivas, Victória continua sentindo medo de ser atacada novamente.
"Não sei nem o que dizer. Eu sinto medo, e que nada vai acontecer. [Ele é] Filho de delegado né? O que vai acontecer? Acho que a próxima entrevista vai ser meus pais falando que eu morri. E aí, como eu fico?", disse.
A jovem já havia denunciado outros episódios de agressão anteriores. A família dela havia tentando intervir e pedido para que ela se separasse. Mas, confusa, ela voltou.
Minha família falou 'não volta, a gente vai pagar uma viagem pra você passar um tempo fora', mas eu voltei. E, hoje, eu me arrependo. Tanto que quando aconteceu isso [a agressão mais recente], eu falei para meu vizinho: 'Não deixa minha família saber, não conta pra ninguém, pelo amor de Deus. Eu tô com muita vergonha", relembrou.
Victória recebeu atendimento médico e precisou de seis pontos de sutura no rosto. Ela passou por exames de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML), e denunciou as agressões na Delegacia da Mulher da Zona Sudeste de Teresina. Na manhã desta quinta-feira (11), ela prestou depoimento. O caso é investigado pela Polícia Civil.
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