
O ex-ministro da Educação Milton Ribeiro disse em conversa com uma filha que recebeu uma ligação de Jair Bolsonaro (PL) em que o presidente dizia temer ser atingido pela investigação da Polícia Federal contra Ribeiro.
A ligação ocorreu em 9 de junho, antes de Ribeiro ter sido alvo da operação da PF - deflagrada em 22 de junho.
Hoje, o presidente me ligou. Ele está com um pressentimento, novamente, que eles [policiais] podem querer atingi-lo através de mim, sabe? É que eu tenho mandado versículos pra ele, né?", disse Ribeiro na ligação.
Continua após a publicidadeSua filha perguntou: "Ele quer que você pare de mandar mensagens?". Milton respondeu: "Não! Não é isso. Ele acha que vão fazer uma busca e apreensão. Em casa, sabe... é... é muito triste. Bom, isso pode acontecer, né? Se houver indícios", completou o ex-gestor.
Pouco após a menção ao presidente, a filha alerta ao pai que está ligando para ele do telefone pessoal. "Tô te ligando no celular normal, viu, pai?". Ribeiro, então, dá sinais de querer encerrar conversa. "Ah, é? Ah, então, depois a gente se fala, tá?".
Contudo, antes de encerrar, de fato, o contato telefônico, ambos voltam a comentar sobre Bolsonaro. "Pressentimento... ele falava em pressentimento e tal...", refletiu Ribeiro.
Ouça o trecho do áudio que o presidente é citado.
O Ministério Público Federal (MPF) pediu para a Justiça que a investigação sobre o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro seja enviada para o Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o MPF, a medida é necessária porque há indício de que o presidente Jair Bolsonaro pode ter interferido na investigação.
O MPF justifica o pedido com base em interceptações telefônicas de Milton Ribeiro que indicam a possibilidade de vazamento das apurações do caso Segundo o MPF, há indícios de que houve vazamento da operação policial e possível interferência ilícita por parte do Bolsonaro.
O advogado Daniel Bialski disse para Andréia Sadi que ainda não havia tido acesso a todo o processo. E que, se há a citação ao foro privilegiado, a prisão de Milton Ribeirão deveria ter sido decretada pela primeira instância --e o caso ter sido remetido antes ao Supremo Tribunal Federal.
"Observando o áudio citado na decisão, causa espécie que se esteja fazendo menção a gravações/mensagens envolvendo autoridade com foro privilegiado, ocorridas antes da deflagração da operação. Se assim o era, não haveria competência do juiz de primeiro grau para analisar o pedido feito pela autoridade policial e, consequentemente, decretar a prisão preventiva", informou a defesa de Milton Ribeiro.
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