
O gaúcho Cornélio Sanders está habituado a desbravar oportunidades no campo. Nascido em Não Me Toque (RS), ele passou a primeira parte da vida trabalhando com a família, que cultivava soja, milho e algodão na região.
Em meados dos anos 1970, no período da expansão das fronteiras agrícolas para o Centro-Oeste do país, Sanders investiu em terras no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul em companhia dos irmãos e conheceu de perto a produção agrícola de vários outros estados brasileiros.
Já nesse novo milênio, em 2001, ele decidiu fazer as primeiras investidas em voo solo. E escolheu o Piauí para aterrissar. Lá, comprou a primeira propriedade da família Orleans e Bragança, cujos laços remetem aos antigos imperadores do Brasil,
Vinte e quatro anos depois, o grupo Progresso, do qual Sanders é fundador, é um verdadeiro “império do agro”. Cultiva cerca de 95 mil hectares de soja, milho e algodão com um faturamento que deve chegar a R$ 1,3 bilhão, juntando as divisões agrícola e de comercialização de sementes. Conta com 749 funcionários e seis fazendas, sendo cinco no Piauí - nos municípios de Sebastião Leal, Uruçuí, Landri Sales, Antônio Almeida e Baixa Grande do Ribeiro - e outra em Paracatu, Minas Gerais.
Dentro da estrutura do grupo há ainda outros negócios como a sociedade em um banco de genética, a FT Sementes, em Ponta Grossa (PR) , além da Progresso Sementes, voltada para a produção e comercialização de sementes de soja.
Leia também: Estudantes piauienses alcançam 1º lugar geral em universidades do PI, CE e MA
Agora, chegou a hora de desbravar outras frentes. Em uma nova etapa de crescimento e diversificação, o Grupo Progresso está fazendo os primeiros investimentos em uma usina de etanol de milho que está sendo construída em Uruçuí (PI) e que deverá começar a esmagar grãos entre junho e julho de 2026.
Com aporte total de R$ 1,18 bilhão, a empreitada é feita em parceria com a Brasil Bioenergia (BrasBio), que tem entre seus sócios o fundo Green Lake Fi Participações, a H4 Holding e a Ideal Agro. O grupo Progresso detém 25% do negócio.
Na primeira etapa, a usina terá, segundo contou Sanders ao AgFeed, capacidade para moer 1,5 mil toneladas de milho ao dia, gerando 620 mil litros de etanol de milho e 420 toneladas de DDG. O volume ajudará a atender à demanda interna do Estado, que atualmente gira em torno de 263 milhões de litros anuais.
Hoje, o Piauí produz cerca de 43 milhões de litros de etanol por ano, com boa parte do volume sendo importado de outros estados, fazendo com que o combustível chegue mais caro às bombas.
Mín. 19° Máx. 39°